E derramarei sobre a família de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém um espírito de ação de graças e de súplicas. Olharão para mim, aquele a quem traspassaram, e chorarão por ele como quem chora a perda de um filho único, e lamentarão amargamente por ele como quem lamenta a perda do filho mais velho.
Há um detalhe estranho neste versículo que é fácil de passar despercebido: "olharão para mim, aquele a quem traspassaram." Aquele a quem se olha e aquele que foi traspassado são descritos como a mesma pessoa. É uma frase difícil de entender na primeira leitura, e é para ser assim — esta profecia está lidando com algo que só faz sentido completo bem mais tarde.
O que já fica claro antes desse mistério se resolver é a reação prometida: luto, um sofrimento real, do tipo reservado para a perda de um filho único. Não uma tristeza religiosa educada — algo cru e pessoal. Isso mostra que não se trata de um evento teológico distante e abstrato. É algo que deveria realmente alcançar as pessoas.
Séculos depois, o Evangelho de João cita exatamente essa linha ao descrever Jesus na cruz. Se você já se perguntou se o cristianismo pede que você sinta algo real em vez de apenas acreditar num conjunto de fatos, este versículo sugere que os autores esperavam luto, reconhecimento, algo que chega ao peito e não só à cabeça.
Se a fé sempre pareceu para você uma lista de fatos, vale a pena ler este versículo como um convite para realmente sentir algo primeiro.
Um vídeo curto sobre isso está a caminho — por enquanto, continue lendo.